Com a dor, acontece da mesma maneira: ela aparece quando algo está errado em nosso organismo; então ele emite um sinal (dor). A partir desse momento é que está o verdadeiro problema: negligenciamos a dor interpretando-a como "algo psicológico" ou encarando-a com responsabilidade, procuramos ajuda com profissional habilitado para a tratarmos? Você é quem escolhe!
Abaixo está uma entrevista do Dr. Drauzio Varella com o Dr. João Valverde Filho. Médico anestesiologista, chefe do Serviço de Tratamento de Dor do Hospital Sírio-Libanês de São Paulo (SP) e membro da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor.
A entrevista na íntegra poderá ser obtida em http://http://drauziovarella.com.br/audios-videos/estacao-medicina/dor/. Foi extraída em 13 de agosto de 2013.
Fisiopatologia da dor
Drauzio – Em linhas gerais, você poderia explicar a fisiopatologia da dor? O que leva o organismo a manifestar a sensação dolorosa?João Valverde Fº– A dor é um sinal de alarme do organismo. Quando se manifesta agudamente, com certeza algo de errado está ocorrendo na pele, nos músculos, nas vísceras ou no sistema nervoso central e são liberadas substâncias que ativam os nervos periféricos e centrais para conduzirem o estímulo até a medula espinhal, onde a sensação dolorosa é modulada, e de lá para o cérebro a fim de avisá-lo que, em determinado ponto, existe um problema.
Como a dor pode ser inibida na medula espinhal pela ação dessas substâncias (serotonina e endorfinas), quando uma pessoa se machuca praticando esportes ou jogando bola, por exemplo, pode não sentir nada naquele momento. A dor vem mais tarde, “quando o sangue esfriou”, dizem os leigos. Na verdade, a razão é outra: existe um sistema supressor interno que às custas das endorfinas, que são opioides endógenos, isto é, produzidos pelo próprio organismo, encarregou-se de combater a sensação dolorosa provocada pela agressão. Portanto, os remédios à base de opioides indicados para o controle da dor simplesmente amplificam esse mecanismo natural do organismo.
Dor aguda e dor crônica
Drauzio – As dores podem ser agudas ou crônicas. Dor aguda, muito forte, pode exigir a prescrição de um analgésico potente que não seria indicado no tratamento contínuo das dores crônicas.João Valverde Fº – O tratamento varia conforme a intensidade da dor. As dores agudas periféricas ocorrem por excesso de nocicepção, isto é, por uma descarga de estímulos dolorosos nos nocirreceptores (terminações nervosas da dor) provocada por cirurgia, traumas ou queimaduras, por exemplo.
Dor periférica leve costuma responder bem aos anti-inflamatórios não estereoidais, associados ou não à dipirona. Já o tratamento da dor moderada demanda a associação desses medicamentos a um opioide fraco; e o da dor mais forte, o acréscimo de opioides mais potentes.
Associar de diversas classes de medicamentos possibilita utilizar menor quantidade de cada um deles durante o tratamento e reduz a manifestação dos efeitos colaterais.
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